

Antes de ser transformado em livro de fato, o texto passa por várias etapas e por várias mãos de profissionais diferentes. Mesmo se você conhece todo o caminho que o original precisa percorrer, talvez você ainda se confunda sobre a diferença entre uma leitura crítica, uma revisão e uma preparação de texto. Então vamos resolver essa confusão:
Leitura Crítica
A leitura crítica se diferencia principalmente pela etapa em que é realizada, muito antes do texto precisar de uma revisão e uma preparação. Uma análise profissional dos pontos fortes e fracos de uma narrativa, ela serve como guia para a reescrita do manuscrito, ou seja, é feita quando o autor já terminou o primeiro rascunho da sua história, mas ainda busca aprimorá-lo.

O rascunho escrito posteriormente a uma leitura crítica pode ser completamente diferente do rascunho anterior. As mudanças vão desde estruturais — mudanças no arco de um personagem, corte de capítulos, introdução de um elemento de construção de mundo… — até detalhes, como a mudança de uma palavra por outra. Se o autor quiser, a leitura crítica pode ser feita até mais de uma vez.
Erros de português serão destacados quando forem muito recorrentes, mas esse não é o foco do leitor crítico, até porque entende-se que depois, quando o original estiver de fato finalizado, ele será mandado para a revisão de texto.
Resumindo: a leitura crítica é feita durante a primeira etapa, quando o original ainda está sendo escrito, sugerindo mudanças estilísticas e estruturais que mudarão consideravelmente o texto.
Preparação de texto
A preparação é feita na segunda fase, quando o manuscrito está finalizado. Ela literalmente prepara o seu texto para a publicação, ou seja, é a última chance de encontrar “erros” mais pesados que podem causar mudanças grandes no texto.
O preparador analisa vários dos mesmos aspectos que o leitor crítico também analisa, apenas num escopo menor. Ele não opinará sobre o desenvolvimento do relacionamento entre personagens, mas avisará se a voz de um deles não for consistente durante o livro inteiro. Coesão, consistência, coerência, ritmo, tom, repetições e vícios de linguagem, adequação ao público-alvo e gênero, padronização do manuscrito, e sim, correção ortográfica e gramatical, são parte da sua análise.
Resumindo: por já ser um original finalizado, o preparador se atentará aos detalhes, melhorando o seu texto até que ele fique adequado o suficiente para a publicação.
Revisão
A revisão é feita também na segunda fase, quando original não só está finalizado, mas também já foi preparado. Ela irá corrigir seu texto, se atentando, principalmente, para problemas de ortografia e gramática. Se feita depois da diagramação, também irá apontar erros do projeto gráfico — linhas órfãs e viúvas, espaçamento, formatação, etc.

Seu trabalho é identificar todos os erros que os outros profissionais do texto deixaram passar, mas nenhuma mudança drástica irá acontecer nessa fase. A mudança de palavras para o seu tempo verbal correto, por exemplo, já pode ser um problema pois isso significa mudar a diagramação. Preferencialmente, esses erros seriam pegos na preparação.
Sua principal função é a legibilidade, tornar o texto o mais fácil possível de ler.
Resumindo: última etapa entre os processos, corrige o seu texto para ele se torne o mais legível possível.
Esse texto, por exemplo, só foi revisado por mim, longe do ideal, então perdão por quaisquer erros.
Espero que agora você tenha entendido a função de cada um desses serviços editoriais, e que sua busca pelos profissionais adequados para as necessidades do seu texto se torne mais fácil.
